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Obrigado Breaking Bad! ou O Assassinato de Walter White


[FARÁ MAIS SENTIDO SE VOCÊ TIVER VISTO BREAKING BAD ATÉ O ÚLTIMO EPISÓDIO]

Não foi preciso esperar cinco temporadas para saber como a saga do professor de química falido que decide fabricar e vender drogas terminaria. No fundo todos sabiam que aquilo iria acabar muito mal. Mas torcíamos por Walt. Era quase como assistir "A Paixão de Cristo" e torcer para o protagonista sobreviver. Você aceitava as justificativas de Walt, torcia por ele, afinal ele precisava salvar sua família. E Jesse era sua muleta, era o que Walt precisava para continuar com seu objetivo. Muitos bandidos loucos, gêmeos, aviões em queda e Pollos Hermanos depois, a dupla continuava, não tão firme como antes, mas ainda assim continuava.


Mas durante essa história toda, surge o vilão. O psicótico, perfeccionista e orgulhoso vilão. Ele esmagalha a mente de Jesse Pinkman e a guarda no bolso como sua posse. Mata pessoas e deixa algumas morrerem. Usa friamente a vida de crianças para chegar ao seu objetivo. E por último, como um tiro na nuca do mocinho, destrói completamente seu objetivo primário, o que é pior para Walt do que a própria morte.

- Eu fiz isso por mim... Eu gostei disso... Eu era bom nisso... Eu estava vivo.

Foi para isso que esperamos cinco temporadas. E foi perfeito. Vince Gilligan genialmente nos mostrou, em uma série baseada em acontecimentos inimagináveis e impossíveis, como a sociedade pode destruir um de seus membros. 

Para mim foi impossível não associar Haisemberg e Walter White a Coringa e Batman. Os dois lados de uma mesma loucura, de uma obsessão. Morreu onde nasceu: em um laboratório de metanfetamina azul, ao som de Baby Blue de Badfinger (abra o vídeo e leia o resto do texto ouvindo a música).


Obrigado Breaking Bad. 

Por acreditar nos seus assíduos espectadores. Nos presenteando não só com uma história dura e cruel, mas ao mesmo tempo bela de ser vista, pois muito bem criada, cuidadosamente costurada. Brincando com diálogos, com cores, com os pontos de vista, nos fazendo quase assistir a cada episódio em pé de tanta tensão. 

E que elenco memorável. Não só Bryan Cranston, que já se mostrou um dos melhores atores da atualidade, mas todo o elenco foi maravilhoso. Aaron Paul (Jesse), Anna Gunn (Skyler), Dean Norris (Hank), Bob Odenkirk (o melhor advogado de todos os tempos), Jonathan Banks (como vou sentir saudade de Mike), Giancarlo Esposito (terei medo para sempre do eterno Gus Fring), entre muito outros, e o que dizer de Jesse Flemons como Todd, um dos personagens mais frios que eu já vi na ficção.

Obrigado Breaking Bad e Vince Gilligan. Por mexer com meus sentimentos e obrigado por fazer Jesse sorrir no final.


Obrigado Breaking Bad! ou O Assassinato de Walter White Obrigado Breaking Bad! ou O Assassinato de Walter White Reviewed by Elvio Franklin on 10/01/2013 12:57:00 PM Rating: 5

2 comentários

  1. Posso dizer que nunca pensei que iria sobreviver emocionalmente depois dessa serie. Eu que já tinha desistido de ver series e me sentir bobo por elas simplesmente serem empurradas com a barriga e ter um final tosco ou ser simplesmente cancelada, pude descobrir que series podem ser feitas de um modo inimaginavel. Com nivel de produçao e atuaçao de cinema. Estou feliz de viver na epoca em que esta revoluçao esta acontecendo. Tks BkB!

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  2. Massa, Elvio! O 2º parágrafo do texto resume muito bem o complexo "fio da meada" da série.

    Realmente, o grande lance de Breaking Bad foi acompanhar toda essa transformação do Walter. Acompanhamos de modo tão intenso que nestes últimos episódios sofremos junto com ele, mesmo cientes de tudo que acontecera até então e sabendo que seu final não poderia ser menos do que foi. Mesmo assim, ficamos vidrados em todos os instantes do capítulo, procurando incessantemente os nós que poderiam amarrar as pontas ainda soltas durante o seriado. Aí, de repente, Walter, mais uma vez genial, resolve nos ajudar:
    "- Eu fiz isso por mim... Eu gostei disso... Eu era bom nisso... Eu estava vivo."

    Hoje, com o final da série, os dizeres podem parecer tolos, mas não são. Foi esse enigma que nos prendeu, instigou, envolveu e surpreendeu durante as 5 temporadas da série, até seu último minuto. Essas poucas palavras foram capazes de expressar, ao menos para mim, todas os (des)caminhos de Walter.

    Muito bom também você ter comentado sobre a relação dele com o Jesse. Foi exatamente, este último, um dos primeiros a identificar na lata (além do óbvio que já era dito por muitos) os motivos das insanidades do Walter. Lá no episódio 11, Jesse disse coisas que talvez nem mesmo Walter soubesse ou pelo menos não quisesse acreditar:
    “(W) - Jesse, eu não estou te controlando.
    (J) - Está. Você está. Certo? Corta esse lance de pai preocupado e me conta a verdade. Digo, você age como... O fato de eu sair da cidade fosse para eu recomeçar. Mas na verdade é por você. Você precisa de mim longe. Já que o idiota do seu cunhado nunca vai desistir. É só dizer. É só me pedir o favor. Só diga que não dá a mínima para mim (...). Apenas me diga que você precisa disso."

    Depois de ouvir tudo isso, Walter fica sem artimanhas. Não fala nada. Apenas entrega-se, literalmente, a Jesse. Abraça aquele que tanto desconsiderou, mas que no final das contas, foi um dos poucos que o deixou desarmado, atingiu seu ponto fraco, revelou uma verdade ainda não apreendida.

    Walter só parece cair real nos últimos episódios. Se a briga em casa que resulta em sua fuga é um momento decisivo dessa percepção, a conversa pelo telefone com o filho no colégio representa o ápice.

    Walter foi longe demais. Ao contrário do que se convenceu durante muito tempo, o que lhe motivava não era apenas a ajuda à família, era sua autoajuda. Viver daquele jeito fazia bem, deixava-o vivo e potente, como não foi em nenhum outro momento de sua miserável vida. Entender e reconhecer isso foram os bilhetes para seguir o que Flynn sugeriu – “Por que você não morre?”.

    Mas antes de qualquer coisa, era preciso cumprir o objetivo inicial e reparar a maioria dos estragos que cometeu. Walter consegue. Salva a família, vinga Hank e mata os criminosos que tanto o atrapalharam. Depois disso, mais um tenso diálogo com Jesse, que, diga-se de passagem, tem bastantes semelhanças com a conversa do episódio supracitado. Enquanto Jesse apontava a arma para Walter:
    “(W) – Faça isso. Você quer isso.
    (J) – Diga as palavras. Fale que você quer isso! Nada acontecerá até você falar isso
    (W) – Eu quero isso”

    O pupilo estava certo. Como bom aprendiz, superou o mestre e demonstrou que o conhecia mais do que ele próprio. Xeque-mate!

    Após concluir seu plano e pagar os pecados que estavam ao seu alcance - o último caminhar - olhares de apreço ao laboratório, toques de agradecimento em seus equipamentos e o tímido sorriso que parecia finalmente vislumbrar o que Walter tanto buscou: uma morte em “paz”. Metanfetamina: sua felina e baby blue.

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