Header AD

Uma viagem chamada Cinema Brasileiro



por Luca Salri

E se o cinema brasileiro fosse um imenso ônibus, ele seria verde-amarelo, com luz vermelha e com o custo da viagem pago por financiamento estatal com direção indefinida. Seria uma longa viagem saindo da Estação Segretto na Baía de Guanabara. 

O Motorista do primeiro trecho seria Mário Peixoto, auxiliado por Humberto Mauro. Estariam presentes os seguintes passageiros: Odete Lara e Normal Benguel sentaram bem na frente pra não se misturar com cafajestes e as musas Helena Ramos, Nicole Puzzi, Helena Ignez, Adele Fátima e Leila Diniz que faziam algazarra no meio do ônibus; no fundão iam os gaiatos dos Trapalhões, Oscarito, Grande Othelo e Mazarópi que mexiam com todo mundo, menos com o Jesse Valadão. Luiz Carlos Barreto se ofereceu pra ser o cobrador, muitos vaiaram a escolha, mas Cacá Diegues argumentou, argumentou, mencionou as patrulhas intelectuais e todos deixaram pra lá.

A viagem seguiu passando pelas seguintes paradas: Atlântida, Vera Cruz, Boca do Lixo, Embrafilmes. Pela janela, os passageiros apreciavam a paisagem: Passaram em frente ao monte com forma bem glútea, chamado Pornochanchada. Havia uma alternância entre os meios urbano e rural.

No quilômetro 70, aparece Sônia Braga pedindo carona naquele "Lotação". Já no quilômetro 90, o ônibus dá o prego. Com o empenho de todos, a viagem é retomada.

No meio da viagem, ouviu-se um barulho seco. Parecia ser um tiro. Os passageiros se agitaram. A turma do cinema marginal disse: É a violência!! A turma do baixo Leblon falou: Que beleza!! A turma ficou com medo de a realidade invadir aquela condução, mas veio Candeias e disse: Calma gente! É só efeito especial! E todos se acalmaram. Na direção iam revezando: Anselmo Duarte, Nelson Pereira, Eduardo Coutinho, Leon Hischman, J. Pedro de Andrade, Mojica ...

- Não!!!

Gritaram os passageiros com medo de que ele levasse todos pro inferno.

Acomodados nas poltronas, estavam Carlos Reichbach conversando com Bressane, Sganzela e Tonacci sobre a importância dos cineclubes para a nossa cultura; Carvana ia todo rabugento; Wilson Grey e José Lewgoy discutiam pra saber qual dos dois é o maior vilão de todos os tempos; Neville de Almeida e Walter Hugo Khoury falavam de sacanagem com David Cardoso bastante atento; Pereio cheio dos paus berrava que pegou todas as mulheres que quis. Dercy Goncalves disse bem alto:

- Cala boca, porra!!

Arnaldo Jabor escrevia uma crônica sobre a viagem; Walter Salles, Fernando Meireles, Claudio Assis e Beto Brant íam calados só admirando os passageiros.

O mais ilustre passageiro estava sentado, calado, sem dizer nada, verborrágico do jeito que ele era. Todos estavam surpresos e foram perguntar pra ele:

- Oh, Gláuber, por que você está tão calado?

Ele respondeu:

- Porque tô curtindo muito essa viagem que não tem fim e eu quero de NOVO!


Uma viagem chamada Cinema Brasileiro Uma viagem chamada Cinema Brasileiro Reviewed by Elvio Franklin on 6/19/2014 03:15:00 PM Rating: 5

Nenhum comentário