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Doutor Estranho



[Sem spoilers]

Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016), dirigido por Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose), chega aos cinemas com a responsabilidade de estabelecer definitivamente magia e infinitas possibilidades, conceitos introduzidos anteriormente nas franquias Thor e Guardiões da Galáxia, ao universo cinematográfico dos estúdios Marvel, que atualmente está em sua 3º fase de desenvolvimento. 

Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um neurocirurgião de sucesso. Arrogante e egocêntrico, vê sua carreira destruída após sofrer um grave acidente de carro que o faz perder a precisão dos movimentos da mão. Obcecado em encontrar uma cura, Strange gasta toda sua fortuna e acaba em Catmandu, no Nepal, onde lhe seria oferecida uma espécie de cura espiritual. Lá ele encontra um grupo místico que lhe oferece muito mais do que ele procurava. 


Visualmente falando, Doutor Estranho é impecável. Apesar dos efeitos de distorção da realidade não parecerem muita novidade para qualquer um que tenha assistido A Origem (Inception), ainda assim conseguem surpreender e embasbacar, principalmente se assistido em 3D IMAX (e recomendo fortíssimo que o façam), as sequências de luta usando magia elaboradas somadas a esse recurso transformam as cenas em caleidoscópios gigantes muito interessantes. 

A arte, o design de produção e a fotografia do filme dialogam de modo que você se sinta automaticamente instigado pelos personagens e por suas motivações; são usados muitos closes, principalmente em Benedict (não que eu esteja reclamando, manda mais que tá pouco) para que o espectador se sinta muito próximo dos personagens e compreenda seus dilemas, a ênfase nas mãos de Strange, com planos detalhes delas em vários momentos, pra que se entenda a importância delas para o protagonista e que significam sobretudo o controle que ele tanto prezava, muito uso de espelhos, vidros ou reflexos nos enquadramentos, fazendo ligação direta à realidade espelhada, um dos feitiços usados pelos magos. Esses artifícios tentam sobrepujar as muitas fraquezas do roteiro, e conseguem. 

Marvel, mais uma vez, mostrou que sabe muito bem escolher seus atores. Todo o elenco possui um carisma monstruoso, todos estão muito competentes em seus papéis, por vezes trazendo mais peso e substância do que os diálogos fracos poderiam oferecer, principalmente Benedict e Tilda Swinton, ambos muito imponentes e marcantes, perfeitos em seus personagens, é muito fácil comprar o barulho deles, mesmo com o excesso de exposição e explicação do roteiro. 


Os filmes da Marvel são para todo mundo. Isso tem um lado bom e um lado ruim. O lado bom é que a história funciona sem te exigir um conhecimento pregresso dos quadrinhos, além de conseguir atingir praticamente todas as idades. O lado ruim é que para atingir todas as pessoas o filme precisa se repetir muitas vezes, se estender desnecessariamente em diálogos extensos e pode ficar uma sensação de que sua inteligência está sendo desrespeitada, além disso o roteiro não se permite aprofundar demais em temas mais densos, o que seria perfeitamente cabível dentro da miríade de realidades com que aquele universo trabalha. O tom permanecer leve, com seus alívios cômicos bem colocados, não é necessariamente ruim, é, na verdade, o que o torna um filme muito divertido e prazeroso de assistir, entretenimento puro. Todavia, fica aquela sensação de que o elenco talentoso e o visual incrível foram desperdiçados em mais uma história de origem ligeiramente esquecível que poderia ter sido muito melhor do que é, mas que acabou pecando por repetir a fórmula da empresa e não arriscar muito nesse sentido.

Apesar dos defeitos, Doutor Estranho abre novos e promissores horizontes para as aventuras que virão, e dentre todos os outros 13 filmes que o antecederam, com exceção ao Guardiões da Galáxia, foi o que mais me deixou com gostinho de quero mais. Vida longa ao mago supremo nos cinemas.

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Mylla Fox
Estudante de Cinema quase formada em Letras - Alemão. Fica feliz quando escuta música triste. Se emociona quando fala de The Last of Us e enlouquece de prazer quando o assunto é Harry Potter ou Adventure Time. Apreciadora dos bons clássicos da Sessão da Tarde e do Cinema em Casa. Uma Goonie genuína.
Doutor Estranho Doutor Estranho Reviewed by Mylla Fox on 11/02/2016 08:47:00 PM Rating: 5

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