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Celeste - Um monte para chamar de seu

O “7 cumes” foi um projeto de montanhismo criado em 1995 que consiste em escalar as sete montanhas mais altas do planeta: Monte Everest, Monte Aconcágua, Monte McKinley, Kilimanjaro, Monte Elbrus, Monte Carstensz e o Vinson.


Em certo momento da minha vida, esse que vos fala conheceu uma cara, um cearense, chamado Rosier Alexandre. Não o conheci a fundo, mas na época que o conheci soube que ele tinha escalado apenas 6 dos 7 cumes, só lhe restando o maior de todos, o Evereste. E ele o escalaria em 2014. Em 2014 ele estava lá. Em 2014 ocorreu a avalanche mais fatal da história do monte. E ele sobreviveu.

Nunca entendi os motivos que faziam as pessoas escalarem montanhas. O que ela viam de tão atraente nisso? 

Em Celeste, um jogo de plataforma, acompanhamos a história de Madeline, uma jovem garota que resolve escalar o Monte Celeste. No início não sabemos por quê, mas ela é carregada de uma convicção extrema que a faz afirmar, com toda a certeza, de que escalará a montanha. E em sua escalada, ela vê coisas incomuns. 

O Monte Celeste carrega consigo uma aura mística, e tal aura faz Madeline confrontar a si mesma. Expondo um lado dela que ela se recusava a ver. Tendo apenas a si mesma por boa parte da jornada, ela é sua única amiga e inimiga. Até encontrar Theo, um moço que abandonou o emprego para escalar a montanha e tirar fotos. Ambos carregam seus próprios pesos quando sobem. Madeline é uma garota ansiosa, que está na montanha para provar a si mesmo que é capaz de fazer aquilo. Theo não sabe exatamente por quê está lá e isso o assusta e o pressiona. 

Numa virada incomum para jogos de plataforma, que, normalmente focam apenas em suas jogabilidade, Celeste nos entrega dois personagens com problemas cotidianos que nos recusamos a ver e aceitar e coloca a montanha como a personificação disso tudo.


Ao jogar, o jogador se vê em Madeline, necessitado de escalar a montanha, mas para cada um a montanha é diferente, porque o que colocamos nela é diferente. Pode ser a ansiedade por mudar de vida ou uma depressão forte que te prende ao chão. Nada vai mudar sem a iniciativa de levantar e escalar. É aí que a jogabilidade se encaixa com a narrativa de maneira perfeita, dentro dos nossos controles limitados, temos habilidades de pulo, dash e de se pendurar em paredes. Com isso deve-se passar pelas inúmeras e fases do jogo, exigindo a persistência do jogador. É possível, mas não vai ser fácil. Celeste é um desafio de plataformas que serve pra te dizer, com honestidade: Eu sei que é difícil, mas você já chegou até aqui, não pare agora, você consegue escalar o seu monte.

Ao final da aventura que foi, eu me peguei lembrando da história de Rosier, que falava sobre escalar os 7 cumes. Talvez haja um sentido em escalar montanhas. Cada um tem o seu próprio monte, seja ele literal ou figurativo. O nobre cearense sobreviveu ao desastre ocorrido em 2014, talvez isso pudesse tê-lo feito parar, talvez 6 cumes fossem o suficiente.

Mas alguns montes, de fato, precisam ser escalados. Em 21 de Maio de 2016, Rosier escalou o seu. E você?

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Miguel, o Legalzão.
Estudante de Publicidade na Universidade de Fortaleza, renomado assistente oficial do Agnaldo, do podcast Agnaldo Indica, Miguel é o Sonserina mais Lufa-Lufa que se tem notícia. Como a própria alcunha já indica, ele passa a maior parte do seu tempo tentando ser o mais legal possível. E quase sempre consegue. Chora fácil, adora video-game, Newt Scamander e o canal Coisas Que Nunca Vivi (ou evitava viver).

Celeste - Um monte para chamar de seu Celeste - Um monte para chamar de seu Reviewed by Mylla Fox on 3/09/2018 03:07:00 PM Rating: 5

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